domingo, 9 de outubro de 2016

Ouvem-se gritos

Na catacumbas da vida
a sociedade anda perdida
os gritos aflitos se confundem
com aqueles que ainda se iludem.

São os solavancos da inércia
desafiante de cada peripécia
provocada pela indiferença
de quem acredita na diferença.

Dos malandros que controlam
e assim uns e outros isolam
traindo a confiança do credulos
vão insuflando alguns módulos.

Naquela situação de horrores
transformam alguns em estupores
atraindo-os com aquele engodo
de continuar a chafurdar no lodo.

Onde a maldade se torna sacrilégio
e as vantagens são um sortilégio
dos que andam nas ruas soltas
em que a sorte dá reviravoltas.

Pode um dia levar ao lado oposto
e aqueles que hoje dão o desgosto
amanhã serem eles com assombro
a cavar o seu próprio escombro.

Já se sente o cheiro à distância
daqueles que não dão importância
transportando outros na sua teia
irão cair como tordos em cadeia.

Na lama que estão a afundar-nos
em carne podre transformar-nos
vão também sofrer as amarguras
tristes que os levará às sepulturas.

Ouvem-se os gritos aflitos daqueles
que o sendo não querem ser eles
mostram o contrário sem consciência
de que o poder não são eles na essência.

Arlete Anjos


Sem comentários:

Enviar um comentário