quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A cobiça

É fácil querer ser!

Ministro em Portugal
difícil é governar
quando a cobiça é maior
que a vontade de prestar
um bom serviço,leal
e passa a ser ditador.

É fácil querer ser!

Gerente de todos nós
e tentar calar a vós
dos que querem dominar
se a ganância venver
os que estão no poder
no povo não mais pensar.

É fácil querer ser!

Sem recursos de maior
julgar que são capazes
de vencer o descalabro
quando eles ficam pior
e deixam de ser audazes
passa a ser tudo macabro.

É fácil querer ser!

Mas nunca vão conseguir
cumprir tudo que prometem
porque a cobiça é mais forte
todos a ela vão sucumbir
depois as culpas remetem
e o povo sofre a má sorte.

É fácil querer ser!

Mas não têm capacidade
de gerir as suas vidas
quanto mais a de milhões
fica-se com a dificuldade
as pessoas mais divididas
e acabam só com tostões.

Arlete Anjos


A teia

Foste urdida na maldade
de gente que por vaidade
diz que pode,quer e manda
e depois anda em demanda
por aquilo que ambiciona
nem sequer deixa vir à tona
os desejos de quem domina
e em desespero se amofina.

Nessa teia tu engendraste
mais que um enredo criaste
com intuitos interesseiros
não pensaste em primeiro
que com essa tua atitude
irias prejudicar a miude
tanto incauto e inocente
sem te importar se é gente.

O teu poder nada serve
é um problema que ferve
enquanto fores poderoso
se ficaste tão orgulhoso
bem podes agradecer
a quem te pôs no poder
quem te deu a confiança
a quem tu tiraste esperança.

Mandas e desmandas
pelo poder que comandas
nem importa se é alguém
cuja família ainda tem
a passar necessidades
à custa dessas maldades
que usas com a vida alheia
e enredas na horrível teia.


Arlete Anjos
O mundo que temos

Há cenas que vejo
e penso...
Será verdade...
ou estão erradas?
são cenas onde...
não há bom senso
Parecem de filmes
ou imagens forjadas.

Quantas cenas
de filmes existem
Sobre a vida real
que são um resumo
de uma vida fatal
porque algum mecenas
resolveu agir mal
por coisas pequenas.

No mundo que temos
nada se perdoa
mal sobrevivemos
vivemos à toa
sem rumo,à deriva
sem porto de abrigo
para que sobreviva
corre grande prigo.

Olharmos sem saber
a luz que se acende
parecemos daltónicos
já ninguém entende
os meandros do drama
nem da consciência
há uma voz que clama
num grito de urgência.

Se alguém ainda ouvisse
os seus clamores
talvez se redimisse
e evitasse as dores
Mas eles estão surdos
para os nossos ais
melhor fossem mudos
não mentiam mais.

Arlete Anjos

Povo torturado

Nosso povo torturado
Pela vida tão incerta
Ao ver seu país amado
Sempre tão contrariado
Quer manter a porta aberta.

Ainda que ordene o povo
Querem calar a sua voz
Minhas orações renovo
E esta vida não aprovo
Nem sei que vai ser de nós.

Com a palavra poetizada
Pode fazer dela uma arma
Se o governo não faz nada
A nossa gente ficar calada
Não nos livra deste karma.

Vamos todos gritar poesia
Por esses eventos culturais
Transparecer nossa alegria
Para que assim algum dia
Nossa vitória todos cantais.

Sentimos que temos direito
A protestar contra o problema
Que a má sorte nos tem feito
Pensaremos em algo perfeito
Que nos resolva este dilema.

Arlete Anjos


Só boas intenções...

Num mundo mesquinho e cruel
Parece que somos feitos de papel
Os seres humanos mais desumanos
Fazem da vida um filme de enganos
Usam e abusam da má fé absurda
Onde querem chegar e nada os muda.

São seres asquerosos sem escrúpulos
Tornam-se hipócritas e são chulos
Nada fazem em benefício de alguém
De todos falam com desprezo e desdém
São tão abjetos e sem qualquer moral
Demonstrando assim só quererem mal.

Em tais pessoas não podemos crer
Porque só maldades sabem fazer
São humilhadores do povo sem dó
Tratam todos como se fossemos pó
Nessa canalha não dá para acreditar
Nem sequer em algum deles irem votar.

Mundo insano,de tanta crueldade
Onde apenas e só impera a maldade
Somos banidos de todos os beneficios
Usam com o povo demais artíficios
Só pensam no poder como destruição
Nada que fazem é com boa intenção.

Arlete Anjos


Exportação

Já estamos hoje a sofrer
Essa amarga situação
Para o povo sobreviver
É recorde em exportação.

Dizem os governantes
Que isto vai melhorar
Sem alguém já nisso crer
Nada vai ser como antes
Só vemos tudo a piorar
Já estamos hoje a sofrer.

É duro enfrentar a vida
Sem dinheiro para comer
E nem chegar para o pão
Há tanta gente perdida
Com todo o povo a viver
Essa amarga situação.

Um ministro diz que faz
Mas é apenas promessa
Do que se devia fazer
Com as dividas é capaz
De emigrar nova remessa
Para o povo sobreviver.

O país bem encaminhado
Ouvimos já alguém dizer
Que está em negociação
O povo está todo exilado
Por um país tão elogiado
É recorde em exportação.

Arlete Anjos


O slogan de povo unido

25 de Abril aconteceu
Portugal muito desenvolveu
Porque o povo estava unido
Não havia ninguém dividido
Começaram a formar simbolos
Rosa,laranja,azuis e vermelhos
Por causa de tantos partidos
Estão agora mais desunidos.

Cada um puxa para seu lado
Neste País tão desgovernado
Já quase ninguém se entende
São saltimbancos sem rede
Num trampolim desumano
Manobrado por muito tirano
Que ao poleiro quiseram subir
Para o nosso cantinho destruir.

Levam tudo ao trabalhador
Que nesta luta por seu labor
Não desiste de querer vencer
Por tantas dificuldades ter
Amordaçado sem dinheiro
Não acreditam no parceiro
Que antes dizia"vem por aqui"
E hoje nada mais faz por si.

Somos portugueses na praça
Queremos manter a boa raça
E o orgulho de ser português
Deste Portugal que tudo fez
As suas conquistas históricas
Parecem figuras de retóricas
Pelo mundo fora foi querido
Sem o slogan de povo unido.

Arlete Anjos


Um coelho e uma porta

Para quem não viu pouco importa
Nesta história que é tão portuguesa
Já nasceu há tempos de forma torta
Não é pintura nem natureza morta
Nem sequer envolve nenhuma princesa.

Nem Branca de Neve e os sete anões
Mas sim,um lote de falsos profetas
Convenceram-te como grandes aldrabões
Piores que Ali-Babá e os quarenta ladrões
Que só tramam o povo com as suas tretas.

Viu-se um coelho a comer relvas até querer
Anda com medo de perder seu grande tacho
Não quer deixar Cavaco para poder aquecer
As mãos e pés,quando o inverno acontecer
E lavar as mãos como Pilatos,se for abaixo.

Neste nosso rico e maravilhoso Portugal
Há sempre quem ria,de quem fica a perder
Com este governo de déspotas,que afinal...
Faz o que faz,porque ninguém lhe quer mal
E deixam andar,mesmo sem terem de comer.

São os banqueiros a chupar até ao tutano
No osso do pobre cada dia mais descoberto
Falam da crise,levam-nos tudo em seu abono
Neste país que há tempos está ao abandono
Por garotos que trazem o caos como certo.

Os anúncios que temos tido de progresso
Que eles apregoam como se fossem apostas
Não nos garantem que voltemos ao sucesso
Será mais fácil ter o fascismo de regresso
Enquanto andar o Coelho com a Porta às costas.

Arlete Anjos


Orgulho Português

Somos portugueses de raça

Amamos este belo país
Onde poderíamos ser unidos
Um jardim à beira-mar plantado
Onde pouca gente é feliz
A maioria são oprimidos
Porque tudo lhes é sonegado.

Somos portugueses de raça

Queriamos um país livre
Um país onde nada faltasse
Emprego,habitação,saúde e mais
Um país onde o cidadão vive
De onde nunca emigrasse
E não se afastasse dos seus pais.

Somos portugueses de raça

Queremos todos aqui viver
Onde as nossas raízes estão
Sem as leis impostas suportar
Nós todos só queremos ter
A liberdade de cultivar o pão
E constituir família sem emigrar.

Somos portugueses de raça

Devíamos nos orgulhar
É só no futebol que temos
Cristiano que é por sua vez
O melhor na arte de jogar
Mas só esse motivo vemos
Para ter orgulho português.


Arlete Anjos
Povo acorrentado

Com cravos vermelhos
Se conquistou a liberdade
Crianças,novos e velhos
Festejaram com amizade.

Foi implantada a democracia
Com o 25 de Abril de 1974
a Todo o povo sentiu alegria
Por seu país ser libertado.

Quarenta anos se passaram
Foram anos de alguma sorte
Tantos governos que entraram
Deixando-nos perto da morte.

Cada político que passar
Na Assembleia por deputado
Por mandato fica a ganhar
Reforma sem ser reformado.

Todos esses dividendos são
Aos cofres do Estado tirados
E o povo,o Zé que é mexilhão
Deixa de receber ordenados.

Quantos foram os deputados
Que passaram por lá então
Desde que foram instaurados
Os decretos para escravidão.

Desemprego passou a haver
Para a maioria do português
Muitos sem nada p´ra comer
Outros emigram por sua vez.

Como se pode viver neste país
Onde a ditadura já regressou
Não sejam piegas o coelho diz
E quase todo o povo emigrou.

Aos fim destes quarenta anos
Devíamos todos compreender
Que os nossos maiores tiranos
São aqueles que estão no poder.

Pobre país,estás amordaçado
Pelos tiranos sem compaixão
Nada serve o cravo encarnado
Só se for para colocar no caixão.

Arlete Anjos


Heróis de Abril

Fazem-se uma revoluções
Sem que alguém se zangue
Nossos valentes capitães
Passearam-se nos canhões
E não derramaram sangue.

Tinham cravos a enfeitar
As pontas das baionetas
Todas as tropas nas ruas
Expondo as ideias suas
Foram homens às direitas.

Tropas de todos os ramos
Reuniram-se Secretamente
Por muitos meses e anos
Estudaram bem os tiranos
Que torturavam toda a gente.

Quarenta anos o fascismo
Da ditadura Salazarista
Tanta miséria que havia
Que muita gente nem sabia
O porquê dessa conquista.

Muitos homens foram presos
Sem nenhuma culpa terem
Muitos até eram analfabetos
Só por apanharem panfletos
Era razão para os prenderem.

Havia a PIDE DGS
Polícia secreta do governo
Gente de duros corações
Sempre a procurar traições
A usar torturas sem termo.

Eram todos perseguidos
Estudantes e trabalhadores
Sem razões,mas que se lixe
Iam para o forte de Peniche
Condenados como traidores.

Tivémos grandes senhores
Presos também no Tarrafal
Fossem rurais ou doutores
Analfabetos ou leitores
Tal como o Álvaro Cunhal.

Juntos para nossa glória
Meteram os cães no canil
E conseguiram uma Vitória
Em quarenta anos de história
Foram os Herois de Abril.

Arlete Anjos



Cravos são flores

Só os cravos não fazem Abril
Foi e será preciso ter firmeza
Em democracia há sonhos mil
De quem luta por uma certeza.

Essa força que vem da coragem
De um ideal que possa libertar
Da avareza e toda essa voragem
Dos que não aprendem a governar.

Vamos perguntar ao 1º ministro
No 25 de Abril onde ele estava
Tenho certeza que nem era visto
Nestas paragens,ele não andava.

Andaria ainda em alguma escola
Devia ter já uma vida segura
Nunca precisou ir pedir esmola
E teve dinheiro para a aventura.

Qualquer um dos que desgoverna
Sabem pouco sobre a revolução
Preferem manter ignorância eterna
Sobre tudo o que aconteceu então.

Nunca precisaram trabalhar no duro
Foram sempre meninos de gente fina
Eis a razão porque destróiem o futuro
Do povo a quem o governo substima.

Aos herois de Abril não reconhecem
A liberdade é apenas uma palavra
Estes novos ditadores mais parecem
Piores que a charrua que a terra lavra.

Acabaram com a reforma agrária
Já não se vêm trabalhadores rurais
A vida de todos passou a ser precária
As dificuldades são cada dia mais.

Retiram todos os apoios aos pobres
Que labutaram uma vida inteira
Apesar de terem suas almas nobres
Sofrem com esta tirania desordeira.

A revolução veio trazer esperança
De novos rumos aos trabalhadores
Não durou muito toda esta bonança
Porque apenas os cravos são flores.

Arlete Anjos
25/04/2014


A bandalheira

Marcha a troupe do governo
Nestas nossas tradições
Marcas que no tempo eterno
É para nós todos um inferno
Que vai fazendo as divisões.

No moldes de tradição se faz
Asneiras, uma e outra após
Cada um joga como é capaz
E assim nos arruinam a paz
E quem sofre somos todos nós.

Mentem descaradamente
Ainda se riem de quem ouve
Aos olhos de quem pressente
Fazem jogos que infelizmente
Noutros tempos nunca houve.

Desfizeram a democracia
Ainda dizem a quem trabalha
O mais certo é ficarem um dia
Sem comer ou qualquer regalia
No propósito deles nada falha.

Nestas patranhas já sabemos
Que nenhum deles nos servem
Queremos lutar pelo que temos
Se outra revolução não fazemos
Que se despeçam não esperem.

Com desdém somos tratados
Nesta dança total e desordeira
Desta gente estamos cansados
Por estes pategos aldrabados
E não se acaba a bandalheira.


Arlete Anjos

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Sem mágoas

Quem poderá viver
Sem mágoas neste sistema
Se para se sobreviver
Precisa inventar um tema.

Que nos leve a confrontar
As dúvidas com as certezas
Em outras coisas pensar
Para esquecer as tristezas.

Seremos barco à deriva
Sem uma rota destinada
Sem governo que nos sirva
Vamos todos ficar sem nada.

Todos somos alguém aqui
Neste cantinho abençoado
Porque uns puxam para si
Nós estamos de outro lado.

Temos uma luta pela frente
Da qual não abdicaremos
E pela qual infelizmente
Do mesmo mal sofreremos.

As virtudes e os defeitos
Que nos são atribuídos
Acontecem em seres perfeitos
Só estão mal distribuídos.

Queremos paz e harmonia
Onde não nos falte o amor
Usar alguma sabedoria
Para não sucumbir à dor.

Se olharmos à nossa volta
Encontramos algo que destôa
Onde a miséria anda à solta
Nós temos uma vida boa.

As queixas que alguns fazem
Davam pano para mangas
Boa casa e carro na garagem
Muitas vezes são só tangas.
Arlete Anjos


Revolta

Por estas e outras mais
Andamos todos aos papéis
São os filhos,são os pais
Sem dedos e já sem anéis.

É nossa responsabilidade
Acordar quem está dormindo
Repôr aqui toda a verdade
Do que nos vai consumindo.

Estamos a ser manipulados
Sem nada fazer contra isso
Só andamos desgovernados
Por quem faltou ao compromisso.

O dom da palavra não chega
Para os incautos convencer
Se não houver uma refrega
Não vamos conseguir vencer.

São gaiatos inconscientes
Que se julgam homens de bem
Tratam todos como indigentes
Pelos erros que todos cometem.

A força do povo unido
Terá que vencer esta batalha
Para que não seja suprimido
O salário de quem trabalha.

Pensa nisto em consciência
Na palavra que em nós se solta
Só com a nossa persistência
Pode conduzir a uma revolta.

Arlete Anjos


Por culpa de quem?

Basta meia duzia de palavras
dos charlatães deste Portugal
não és tu que sempre aldrabas
mas votas por bem ou por mal.

Acreditar em palavras vãs
de quem só lhe interessa o poder
é acordar hoje e todas as manhãs
com receio de não ter o que comer.

Os filhos e netos estão nas escolas
quantos sem nada terem comido
ainda parece que lhe dão esmolas
quando já estão todos desnutridos.

Pais que deviam estar a cuidar
dos filhos que quase não comem
para o estrangeiro foram emigrar
por amor se sacrificam e consomem.

Ratos que usurpam tudo de nós
são algozes de pais e mães infelizes
que entregam seus filhos aos avós
e vão lutar pela vida noutros paízes.

Ideias que podiam ser construtivas
estão cada em dia mais obsoletas
uma ou outra proposta mais nociva
no governo que só nos impinge tretas.

Sabemos há muito deste mal estar
que no nosso país já nada está bem
nem os idosos já podem suportar
e isto acontece por culpa de quem?

Arlete Anjos